quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Urânia e a arte de observar estrelas

“Somente quem tem o caos dentro de si pode dar à luz uma estrela bailarina.” (Nietzsche)


Os céus sempre despertaram interesse nos seres humanos, desde os primórdios dos tempos à contemporaneidade. E essa arte de observar os astros acompanha a história humana nas mais diferentes culturas e civilizações, quer seja ligada a rituais religiosos, como na maioria das vezes, ou para contagem do tempo, previsões e até mesmo para se explicar o próprio mundo e o porquê de se estar nele, através da narrativa mitológica.

Com os olhos voltados para o céu e vestida com um manto bordado de estrelas cintilantes, a “rainha das montanhas”, Urânia, a Musa grega da astronomia e da astrologia, faz-se presente em cada momento de contemplação. Onde nós, meros mortais, ficamos a admirar os mistérios luminosos sob nossas cabeças, imaginando, sonhando e até esperando...

Pessoalmente sempre tive e tenho até hoje um fascínio por observar as estrelas, lembro que quando criança adorava passar momentos deitado na grama olhando para a o céu. Procurava encontrar as formas das constelações, fazia meus próprios desenhos, esperava pelos famosos “discos voadores” e não me contentava com as explicações: “essas estrelas andantes são satélites!”. Adorava segui-las, não me importando com as verrugas que cresceriam nas pontas dos dedos de tanto apontá-las, perde-las, procurá-las e encontrá-las novamente. Certamente era como um pequeno discípulo da Musa inspiradora do estudo dos astros.

Ainda me pego fechando os olhos e fazendo pedidos ao observar cortar o céu um rápido risco luminoso, que ainda insisto em chamar de estrelas cadentes. Sabe como é? Crescemos e passamos a validar somente o conhecimento científico universal e deixamos de dar crédito às fantasias, histórias e aos mitos populares e infantis. Que bobagem! Pois é justamente esse universo fantasioso, onde habita o imaginário, que nos dá as condições necessárias de vivermos frente a todos os desafios que o mundo real nos apresenta e nos impõem.

E justamente por causa desse mundo real, que acabei esquecendo essas coisas e que agora me recordo com tão bons sentimentos, graças a ilustre presença de Mnemósine. Ando (como muitos) sempre cheio de afazeres, compromissos e coisas para pensar e me preocupar, que acabo esquecendo das coisas mais simples que me enchem de prazer, como é o fato de observar as estrelas.

Costumo, ao ir embora a noite, após falar algumas bobagem com a Andressa, colocar meus fones, escutar minhas músicas, cantarolar as vezes e manter um ritmo de caminhada contínua sem ficar me detendo com o mundo a minha volta. Nesses momentos meu pensamento voa longe e espero só chegar em casa, deitar e dormir para iniciar mais um dia em minha sobrevivência.

Sabe, já faz tempo, mas uma noite dessas (e várias outras também), fui pego de surpresa. Pois a senhora onde eu moro, ao me ver chegar perguntou: Como está o tempo? Até aí tudo bem, mas em breve vieram as perguntas: Como está o céu? Está estrelado?... Bem eu não sabia o que dizer, pois não tinha o costume de olhar para o céu, ou ao menos não de me deter nele, ou gravar alguma imagem que desse margem a uma resposta melhor do que a minha: Não sei, não olhei... Vim com tanta pressa que nem reparei.

Puxa! Ficava arrasado toda vez de responder, como posso não ter olhado ou visto algo de diferente, não percebi que lua era, ou pior, se tinha uma a brilhar no céu. Mas um dia decidi me preparar, para quando me for perguntado eu consiga responder sem ficar constrangido. Comecei a parar antes de entrar em casa, ainda ouvindo música e olhar para o céu. É maravilhoso! Geralmente fico até terminar uma música ou começar uma outra e de vez enquando tem um vizinho a olhar timidamente por entre frestas de janelas e a imaginar: que estranho... que louco... deve estar bêbado... ou é pancada mesmo.

Não me importo! Pois emergiu em meu ser momentos mágicos a tempos esquecidos. Percebi o quanto gosto de olhar as estrelas e que ainda possuo os mesmos sonhos, desejos e fantasias da infância. Que bom!

De vez em quando, durmo somente com os vidros da janela fechados para poder observar o céu, cuidar o caminho das estrelas andantes, segui-las e até fazer alguns pedidos quando surpreendido por alguma estrela cadente. Parece uma coisa tão boba, mas tem um poder simbólico tão grande, carregado de sentimentos e com a mágica necessária para fazer com que eu viva em outro mundo, em outra realidade. Coisa que somente Urânia consegue mensurar e compreender.

Certo dia li num jornal que ganhei de um amigo, um texto escrito por ele sobre a arte de tomar sorvete no calçadão e me identifiquei com sua escrita. Até pensei em comentar com ele sobre isso, mas acabei me esquecendo. Pois é justamente esse sentimento de déjà vu, de identificação com o momento ou com a ação, fragmentados nas reminiscências de nossas memórias, que fazem com que se dê tanto sentido para essas pequenas coisas, tornando-as gigantescas.

Adoro olhar as estrelas, gosto do cheiro de terra molhada, admiro uma boa chuva, seus pingos a água se acumulando ou correndo, um purificante banho de chuva, o cheiro de pão quente, chocolate a qualquer hora, o perfume inconfundível que lembra minha mãe, comer pêra verde, o mingau de aveia da Sandra, olhar desenhos animados de antigamente, filhotes de cachorro, pescaria mesmo sem pescar nada, jogar Super Mário, assustar as pessoas, rever queridos amigos, falar bobagens, rir e lembrar do passado.

Bom, na verdade não importa o que dos traz lembranças, mas que as tenhamos. Mesmo que as vezes nos façam chorar, o importante é saber que temos algo à rememorar, ou a identificarmos com o outro, pois como nos fala Maria Zambrano; “Não é de todo infeliz aquele que pode contar a si mesmo a sua história...”


À querida Irmã Iracy Pizzutti que sempre me falou que: Os que ensinam os outros, um dia como estrelas, no céu brilharão.”


O SILÊNCIO DAS ESTRELAS

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

SANTIAGO ENCENA:

A Magia e a Realidade na Festa de Tália e Melpômene.

O teatro é uma arte efêmera
há mais de dois mil anos.

Millôr Fernandes


Durante o mês de novembro de 2009, entre os dias 23 a 26, a cidade de Santiago, no interior do Rio Grande do Sul, conhecida como a “Terra dos Poetas”, recebeu visitas ilustres. Algumas vindas do reino da narrativa mitológica e que habitam a esfera celestial desde a Grécia Antiga e se fazem presentes até hoje para provocar a nossa reflexão sobre o real sentido e origem das coisas. E aí? Já descobriu quem são? Estou me referindo as Musas Tália e Melpômene, Deusa-irmãs, filhas de Zeus e Mnemósine e habitantes do Museion.

Com seu cajado de pastor e a máscara cômica em mãos, a “festiva” Tália musa grega da comédia, transita entre nós distribuindo risos e gargalhadas, mas ao mesmo tempo, nos faz ver a graça existente nas pequenas coisas do nosso cotidiano, que nos passam desapercebidas e que ora nos orgulham ora nos envergonham. Mas mesmo assim achamos graça.

Sem graça nenhuma, Melpômene a musa grega da tragédia, perambulando com seus coturnos gastos e carregando em suas mãos uma faca e a máscara trágica, nos mostra a verdadeira face da tristeza e do desespero humano, nos colocando frente todas as mazelas da existência. Ou como nos fala Aristóteles, o primeiro teórico da tragédia, ao apontar os dois conceitos que definem esse gênero: a mimese – a imitação da palavra e do gesto de modo a despertar os sentimentos de terror e piedade no público, e a catarse – que é o alívio desses sentimentos através de um efeito moral e purificador.

Mas tanto Tália como Melpômene, fazem com que a nossa humanidade seja questionada frente a indagações filosóficas contextualizadas com a nossa realidade, os nossos modos de agir e pensar e até mesmo, com as nossas próprias concepções, pré-conceitos e interpretações do real e do imaginário. Porém essas Deusas não costumam andar sozinhas. Elas possuem uma legião de seguidores, nômades, sem paradeiro e que conseguem romper com as barreiras temporais, dominando as representações do passado, presente e até de inúmeros e prováveis futuros, de incalculáveis mundos e galáxias distantes e inexploradas.

Uma gente que se encontra em torno de uma idéia, de uma vontade, de um objetivo, de uma boa história... Em lugares a princípio escuros, incômodos, desafiadores por vezes, mas que por um momento de magia, se transformam em qualquer espaço ou coisa cabível à imaginação. Revelando cores, luzes, sombras, ritmos e por fim universos.

Essa gente capaz de realizar sonhos e distribuir fantasias, é o Povo do Teatro. Todos eles! Atores, diretores, iluminadores, sonoplastas, maquiadores, figurinistas... Enfim, todos construtores de mundos, de personagens e de espetáculos. São eles que fazem acontecer a festa das Musas, que as mantém vivas entre os palcos, ao abrir e fechar de cortinas e ao término dos aplausos.

E assim, conseguem fazer do teatro a arte mais próxima da vida humana, uma vez que o ser humano é por natureza um ser teatral. Uso novamente o pensamento de Aristóteles, que nos explica que desde a infância os homens apresentam em sua natureza uma tendência para representar e uma tendência para assistir tais representações.
O que poderíamos dizer que o próprio teatro existe pela necessidade dos homens extravasarem suas angústias, medos, paradigmas e ideais. Ou melhor, como nos fala Pierre Bugard, que mais do que nunca essa arte se faz necessária pois “hoje, os deuses morreram, estamos sozinhos, o mito esvaziou-se, a tragédia abandonou a cena da cidade grega e foi habitar para o nosso inconsciente. (...) Ficou-nos a nevrose para nos preservar dela, resta-nos o Teatro.”

O encontro da Gente do Teatro resulta na grande festa das Musas Tália e Melpômene. Na cidade de Santiago, RS, esse momento há treze anos denomina-se SANTIAGO ENCENA, que na verdade se trata de um Festival de Teatro Amador.

Desde o ano de 1997 esse festival faz parte do calendário de eventos do município, atraindo um público que busca não apenas diversão e lazer, mas também, a oportunidade de interagir com as mais diferentes manifestações culturais e novas formas de ver e interpretar o mundo e a realidade a sua volta. Lembra-se, conforme FUSARI (2001, p. 78), que é importante a prática de educar nosso modo de ver, para que ocorra a transformação e a conscientização do nosso papel social, enquanto agentes participativos no meio ambiente e na realidade cotidiana e sendo o teatro campo nobre para tais ações e análises.

O primeiro Santiago Encena teve o objetivo de proporcionar à comunidade local a apreciação da arte cênica e da dança criativa de grupos teatrais e de instituições escolares que tinham a necessidade de difundir sua expressão artística. A partir do ano de 1998 o Santiago Encena, devido ao sucesso e a repercussão da primeira edição, passa a ser em nível regional contando com a participação de grupos teatrais de várias cidades do estado do Rio Grande do Sul.

Desde a décima segunda edição, no ano de 2008, o Santiago Encena foi um Festival de Teatro Amador e Dança Coreografada, sendo que na sua trajetória 122 danças coreografadas, 79 peças teatrais infantis e 99 espetáculos adultos foram apresentados a comunidade, para a alegria das duas Deusas-irmãs.

No ano de 2009, realizou-se, sob a proteção celeste direto do Monte Parnaso, a décima terceira edição do Festival, contando somente com a categoria de Teatro Amador, uma vez que, foi reformulado seu regulamento e suas categorias de premiação. Estavam na disputa 04 espetáculos na categoria infantil e 05 na categoria adulta, com grupos de teatro amador, além da cidade de Santiago, também das cidades gaúchas de Itaqui, São Francisco de Assis e Uruguaiana.

O Santiago Encena é uma promoção da Prefeitura Municipal de Santiago, através da Secretaria Municipal de Educação e Cultura. É um evento que vem fortalecer e alicerçar ainda mais a identidade cultural da “Terra dos Poetas”, como é conhecida a cidade de Santiago, RS, pois afinal foram 13 anos de efetiva existência junto a promoção e difusão artístico-cultural. Trazendo consigo uma mensagem de amor a arte, sem preconceitos e valorização da capacidade e criatividade humana, pois como nos fala MARTINS (1998, p.6):

(...) a linguagem da arte. Feita para o homem mergulhar dentro de si mesmo trazendo para fora e para dentro dos outros homens as emoções do próprio homem. Sabe o homem que as emoções é que são o sal da vida. Por isso é que quando um homem quer falar ao coração dos outros homens ele o faz pela linguagem da arte. Quando isso acontece, naquele homem sente e age o artista.


Por essa razão, alicerçados em preceitos que valorizam e incentivam as expressões, habilidades e potencialidades de homens e mulheres, personagens condutores da teia tecida por Clio, a musa da História e irmã querida de Tália e Melpômene, é que o teatro se torna um investimento cultural de suma importância. Não se importando com o número de pessoas ocupando cadeiras em grandiosos salões, mas sim com sujeitos com a sensibilidade necessária para estarem abertos à arte e sabendo valorizá-la.

Não só o teatro, como também, toda a forma de expressão artística-cultural deve ser valorizada e vista como um investimento. E quem deve investir, incentivar, tomar para si, é a própria comunidade e não apenas os poderes públicos instituídos.
Deve-se ter a noção que ao investir em cultura, a colheita será a longo prazo e não imediata. O “aqui-agora” se têm através do retorno midiático, que deixa extremamente felizes os gerentes de marketing, mas o que importa realmente, é que as mentalidades sejam dialogicamente confrontadas, questionadas, que haja mudanças paradigmáticas... E isso deriva tempo, paciência, construção de gosto e polimento da sensibilidade humana frente a contemplação das inúmeras manifestações da arte e de suas Musas .

Portanto, enquanto a cidade de Santiago, RS, continuar com seus pequenos, mas talentosos, grupos de Gente do Teatro a serviço da festa de Tália e Melpômene, o movimento do teatro amador e a própria cultura agradecem e se fazem ainda mais vivos na “Terra dos Poetas” do Brasil

RODRIGO NERES


O teatro, casa dos sonhos... de Bertolt Brecht

Muitos vêem o teatro como casa
De produção de sonhos.
Vocês atores são vistos
Como vendedores de drogas.
Em seus locais escurecidos
As pessoas as transformam em reis e realizam
Atos heróicos sem perigo.
Tomando de entusiasmo
Consigo mesmo ou de compaixão por si mesmo
Fica-se sentado, em feliz distração esquecendo
As dificuldades do dia a dia – um fugitivo.
Todo tipo de fábula preparam com mãos hábeis, de modo a
Mexer com nossas emoções. Para isso utilizam
Acontecimentos do mundo real. Sem dúvida, alguém
Que aí chegasse de repente, o barulho do tráfego ainda nos ouvidos
E ainda sóbrio, mal reconheceria sobre essas tábuas
O mundo que acabou de deixar.
E também
Saindo por fim desses seus locais,
Novamente o homem pequeno, não mais o rei
Não mais reconheceria o mundo e se acharia
Deslocado na vida real.
Muitos, é verdade
Vêem essa atividade como inocente.
Na mesquinhez
E uniformidade de nossas vidas, dizem, sonhos
São bem-vindos. Como suportar
Sem sonhos? Mas assim, atores, seu teatro torna-se
Uma casa onde se aprende a suportar
A vida mesquinha e uniforme, e a renunciar
Aos grandes atos e mesmo à compaixão
Por si mesmo. Mas vocês
Mostram um falso mundo, descuidadamente juntado
Tal como os sonhos o mostram, transformado por desejos
Ou desfigurado por medos, tristes
Enganadores.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A Fuga das Galinhas:

Planejamento como Necessidade de Mudança.

Rodrigo Neres de Morais


Muitas vezes me pergunto: Porque planejar? De que adianta tal ação? Esses questionamentos se fazem pertinentes, principalmente a quem trabalha com processos educativos, mas podem ser incluídos em qualquer aspecto da vida humana. Em situações cotidianas, que muitas vezes nos passam despercebidas e derivam, a priori, de um ato de planejar.

Os seres humanos são por natureza planejadores, estão sempre tentando concretizar seus desejos e aspirações que são anteriormente concebidos através de um processo de planejamento mental. Um fator muito importante e que não deve ser esquecido é a “possibilidade do planejamento”, ou seja, devemos analisar até que ponto é possível a concretização e a possibilidade de sucesso, tanto para a elaboração do planejamento, como para todas as outras etapas.

O Professor Celso Vasconcelos (1999, p. 51), enfatiza que “nenhuma pessoa de bom senso se envolve numa atividade sem previamente avaliar sua viabilidade.” Por essa razão faz-se necessário que o planejamento seja visto como um fator da vida, relacionado com o cotidiano dos homens e mulheres e, principalmente nos processos educativos deve ser encarado com responsabilidade e como recurso útil na melhoria da oferta do ensino, da aprendizagem e da construção de um mundo melhor.

É justamente esse “mundo melhor” que um grupo de galinhas sonha conquistar. Como assim galinhas? Calma, estou falando das personagens do filme de animação britânico “A Fuga das Galinhas”, do ano de 2000, com a direção espetacular de Peter Lord e Nick Park.

A história se passa na década de 50, numa granja de ovos da sinistra Senhora Tweedy, onde as galinhas são fadadas a viverem para a produção de ovos e quando isso não acontece é morte na certa.

Cansada com essa situação, a galinha protagonista Ginger, tece inúmeros planos para escapar das garras dos Tweedy, mas ela não pensa em sair sozinha. Só vai se todos forem com ela e se ela tiver a certeza que ficaram bem. No início é uma sucessão de fracassos, inúmeras tentativas frustradas, planos inviáveis, pois estava faltando algo muito importante: a definição de todas as etapas do planejamento. Como elas iam sempre de encontro a execução, já que era a grande problemática a fuga e a busca por liberdade, sempre tinha algum detalhe que passava despercebido e que pertencia há alguma outra fase anterior do planejamento, como a elaboração por exemplo, e isso acarretava no fracasso de todas as ações realizadas.

Ginger não percebeu que de tanto fracassar suas colegas começaram a perder o ânimo e talvez até duvidar se seriam capazes, se não era mais fácil aceitar aquela vida. Tanto que no filme isso fica evidente nas falas da galinha Bunty, que na maioria das vezes estava mal humorada e sempre tinha algo para contrariar ou fazer com que Ginger fosse desacreditada.

Quando tudo parecia perdido, eis que entra em cena o galante Galo Rocky, e sua entrada não foi de qualquer jeito não, ele entrou para o “campo de concentração aviário” simplesmente voando e aterrissando aos trambolhões. Ele foi o elemento que devolveu a esperança ao grupo e a perspectiva de uma conquista.

Rocky para conseguir tempo, para sair da enrascada que se meteu, já que dificilmente as galinhas conseguiram voar, como ele também não consegue, começa com uma prática de treinamentos e preparações para algumas outras frustrantes tentativas. Ah! E ele ainda tem que conseguir convencer, de suas boas intenções, ao velho galo Fowler, que demonstra muito medo e incerteza frente o novo, que é o que acontece na maioria dos casos na vida cotidiana humana.

Para motivá-las, Rocky, usa da diversão e distração, fazendo que as galinhas esqueçam por um momento sua situação fatídica e se alegrem com um bom som e muita dança. Mas com medo de sua fraude ser descoberta ele parte deixando as galinhas desorientadas, Fowler com a expressão “eu avisei” e Ginger desolada, já que estava mantendo um sentimento por ele.

Em meio a confusão aprontada, o clima esquentou e foram apontados vários culpados acabando tudo em um verdadeiro vale tudo na lama, até que Ginger é iluminada pelo ato de reflexão e busca na experiência velho Fowler uma oportunidade para conseguir o êxito da fuga. Primeiro elas passaram a elaborar detalhadamente cada ação, como poderia ser, de que forma, a quem competia a cada coisa.

Depois passaram para a execução das tarefas, cada um com uma atribuição específica e dentro de suas potencialidades e habilidades, assim somando esforços, vontade e desejos coletivos, como o impulso da volta de Rocky e as alianças necessárias com alguns colaboradores, as galinhas conseguem se organizar e superar suas dificuldades alcançando o tão sonhado paraíso.

Como elas conseguiram? Provavelmente repensaram suas ações e elaboraram seu plano de fuga seguindo cada passo destinado a um planejamento eficaz. Segundo ENRICONE (1989, p.13) “ O planejamento é um processo que consiste em preparar um conjunto de decisões, tendo tudo em vista o agir, posteriormente, para atingir determinados objetivos.”
Com a ajuda e visão de Ginger, o grupo pode constatar o diagnóstico da realidade em que viviam e projetar pontos de referência para saber por onde chegar no que queriam. Ao meu ver elas conseguiram o êxito porque colocaram em prática um planejamento composto por todas as partes: Marco Referencial, Diagnóstico e Programação, que seria a organização das ações.

COROACY (1972, p.79) reforça a idéia que:

“o planejamento é um processo que se preocupa com para onde ir e quais as maneiras adequadas de chegar lá, tendo em vista a situação presente e possibilidades futuras, para que o desenvolvimento da educação atenda tanto as necessidades do desenvolvimento da sociedade, quanto as dos indivíduos.”



Assim, pode-se observar as condições da realidade em que viviam, como conseguir instrumentos e ferramentas, que meios utilizar para fazer alianças, que recursos estão disponíveis, tanto humanos como materiais, ficando evidenciado nessa fase o Marco Situacional, o real. Já o Marco Doutrinal está na força do desejo, do sonho delas e na problemática da realidade: Para quê fugir? A onde chegaremos com isso? E finalizando o Marco Operacional aparece nas tomadas de decisões e posições do grupo: Como vamos nos organizar para conseguir? Ora de modo planejado e assumido por todos, pois todos são importantes e possuem contribuições valiosas para dar.

O filme “A Fuga das Galinhas” é um ótimo exemplo para se refletir sobre a importância do planejamento, se pensado em sua plenitude, e sobre os erros e falhas cometidas ao longo do processo. Tanto nas cenas, como nas falas das personagens pode ser explorado um leque de possibilidades de analise e discussão acerca do tema planejamento.

Decidi até em indicar esse filme para a Laura. Você conhece a Laura? Ela também é uma galinha, criada pela escritora Clarice Lispector que nos conta toda a “Vida íntima de Laura”. Quem sabe a Laura se inspira, ou se motiva a realizar uma mudança em sua vida, através de um planejamento voltado para a construção de um final diferente para a sua história. Pois segundo VASCONCELLOS (1999, p. 51) “a realidade que nos cerca, em função de suas gritantes e desumanas contradições, aponta para uma urgente necessidade de mudança”, eu estou aberto a encerrar esse desafio, e você está? Quem sabe damos as mãos e caminhemos juntos nesta jornada, aglutinando conhecimentos e experiências, começando devagar, com cautela, refletindo bem e seguindo confiante o caminho.

E quem disse que não conseguiremos mudar a realidade e construir um mundo melhor?


Referências:

COROACY, J. O Planejamento como Processo. In: Revista Educação, ano I, nº 4. Brasília: 1972.

ENRICONE, D. ET AL. Processo de ensino e avaliação. Porto Alegre: Sagra, 1989.

LISPECTOR, Clarice. A vida íntima de Laura. Rocco: Jovens Leitores.

VASCONCELLOS, C. dos S. Planejamento: Projeto de Ensino-Aprendizagem e Projeto Político – Pedagógico. São Paulo: Libertad, 1999.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

"O menor ato, nas mais limitadas circunstâncias, porta o gérmen da mesma ilimitabilidade e imprevisibilidade; um ato, um gesto ou uma palavra pode ser suficiente para mudar qualquer constelação. Na ação, em contraposição à fabricação, é de fato verdade que nunca podemos saber realmente o que estamos fazendo"

(Hannah Arendt, em Trabalho, obra e ação)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A MÁGICA COTIDIANA:

Uma Reflexão sobre a Prática Docente

Rodrigo Neres


Aprendi que trabalhar com a educação é tratar de um dos ofícios mais perenes da formação da espécie humana. Nossas práticas se orientam por saberes e artes aprendidas desde o berço da história cultural e social. Ingenuidade minha se acreditasse e fizesse acreditar que a Escola Plural e outras propostas estão inventando modas. Prefiro pensar que estão apenas, e é muito, tirando do baú dos esquecidos da história do magistério artes que não deveriam ter sido esquecidas. Artes de um ofício. Saberes e sensibilidades aprendidas e cultivadas. Guardadas no cotidiano, nas gavetas das salas de aula de tantos mestres de agora e de outrora. (ARROYO, 2000, p.09)


Uma platéia de olhos atentos, sedentos, criativos, curiosos, iluminados, cheios de vida a espera de um movimento, de uma palavra, de uma novidade. A arte capaz de transformar, emergir e revelar sentimentos, conhecimentos, realidades e mundos. O fazer mágico que tem o poder de tocar e atrair até as mais inalcançáveis plateias e transformá-las, multiplicá-las, torná-las detentoras de novas e surpreendentes capacidades e habilidades, que são mágicas também.

Assim é o ensinar. Um ato de pura magia, repleto de significações que fazem com que os seus realizadores tornem-se mestres de artes e ofícios os quais, na contemporaneidade, carregam um duro fardo: o de salvar a humanidade ou pelos menos, resolver alguns dos principais problemas sociais e construir possibilidades de um mundo melhor. Mas para isso, faz-se necessário a união de muitos atos mágicos. Mágicos não do tipo “super-poderes”, mas com ações possíveis e inovadoras que façam a diferença, transformando realidades existentes e apontando novos e iluminados caminhos.

É necessário que os seres mágicos que habitam os corações de nossos educadores, cresçam e mostrem-se dispostos e engajados ao trabalho de revolucionar a espécie humana, desde a formação na academia até seus últimos dias de compromisso, para que tenham a certeza e o prazer do dever cumprido. Que no voltar-se o olhar para a tela elaborada por Clio, veja-se saborosos e resplandecentes frutos, sustentados por longos galhos possibilitando, cada vez mais, que outros seres consigam se saciar e tirar, desses frutos, novas sementes para plantarem suas esperanças.

O trabalho de um educador é mágico. Pois consegue fazer de sua aula uma grande mágica, na medida em que, proporciona aos seus alunos a prática de olhar o mundo de diferentes formas e com outros olhos, a partir das construções e das descobertas que realizam através dos conhecimentos que lhes são mediados.

Podemos muito bem estabelecer uma relação entre o fazer mágico e a prática docente, sendo que esta, vista como dinâmica, flexível, lúdica e revista com criticidade constantemente. As práticas docentes centradas na idéia de uma educação voltada para a vida dos educandos, para a propagação de uma cultura inclusiva e de princípios e valores de vida, é que vão transformar-se verdadeiramente em atos mágicos para a construção de um mundo melhor.

Há muito do trabalho de um mágico na prática docente cotidiana, pois da mesma forma que o mágico, o educador necessita ter habilidades que façam com que seus alunos sintam-se atraídos e motivados pelas suas aulas, utilizando-se de inúmeros recursos lúdicos e criativos para que a verdadeira mágica aconteça nos corações de seus educandos. Dessa forma,
TE>O mágico precisa, acima de tudo, acreditar em sua mágica, colocar em sua apresentação um pouco de todas as outras artes para ser considerado um grande artista. Assim, também o educador precisa agregar a sua prática pedagógica outros instrumentos para enriquecer o seu potencial e oferecer amplos desafios a seus educandos (DORNELES, 2005, p.45).

Cada vez mais, a interdisciplinaridade bate a porta das práticas pedagógicas dos educadores. Cabendo a eles ter e manter o preparo frente as constantes mudanças e avanços sociais. Espera-se um educador capaz de realizar e oportunizar que seus educandos façam constantes diálogos entre si e seus pares, entre os seres humanos e a terra. (WERNECK, 2008, p.20). Almejamos pequenas mágicas no cotidiano escolar, para que contribuam na formação de uma cadeia de boas e conscientes ações, voltadas à melhoria dos processos educativos, da qualidade de vida e das perspectivas de um futuro mais humano.

Sim! Podemos crer que cada educador é como o pequeno beija-flor da fábula do incêndio, onde ao se defrontar com as vastas e mortais chamas na floresta, procura não fugir, mas enfrentá-las com pequenas gotas de água. Ao ser questionado pelo leão, que seria impossível vencer as chamas com tão pequenas ações o beija-flor simplesmente responde que está fazendo a sua parte.

Por essa razão que as práticas docentes necessitam estar casadas com a responsabilidade social e vislumbrar uma ética planetária. Para que os educadores e suas mágicas possam estar engajados na construção de uma sociedade mais fraterna, solidária e justa. E para isso os educadores devem:

(...) estar conectados às pessoas e, sobretudo, aos educandos, para senti-los mais de perto e, pelo desenvolver de uma linguagem neomatricista, prepará-los para a vida, com os olhos no presente, onde as relações se fazem no dia-a-dia do educar (WERNECK, 2008, p.20)


E é justamente nesse educar do dia a dia, que devem ser apostadas as esperanças e os sonhos, mas as mágicas devem acontecer para que isso torne-se realidade. Além de que, os educadores devem apresentar um comprometimento pela causa, já que de nada valerá os espetáculos sem propósitos e objetivos que contemplem as tão desejadas mudanças.

Nesse contexto, entra em cena, a importância da formação continuada vista a figura do educador como elemento fundamental do espaço educacional, “já que ele é o agente de um processo de transformação da realidade social.” (LIMA In: GRANVILLE, 2007, p.166).

Quando se fala em formação devemos lembrar sempre, que as práticas pedagógicas são produtos das concepções de mundo, educação e humanidade que cada educador possui e faz transparecer em seus atos e em suas mágicas. Podemos refletir sobre isso, na medida em que:


A formação não se constrói por acumulação de cursos, de conhecimentos ou técnicas, mas sim, através de um trabalho de reflexibilidade crítica sobre as práticas e de re(construção) permanente de uma identidade pessoal. Por isso é tão, importante investir na pessoa e dar um estatuto ao saber da experiência (NOVOA, 1995, p. 25).


Para a realização das mágicas nas práticas pedagógicas, os educadores na maioria das vezes, ou quase sempre, contarão mais com a ajuda das experiências acumuladas, dos saberes e dos fazeres já constituídos em seus interiores, do que simplesmente com a formação teórica e acadêmica.

Devemos sempre integrar a teoria com a prática, confrontando-as e refletindo sobre ambas e os produtos que geram. Porque precisamos que nossos atos mágicos estejam fixados em fortes bases teóricas que darão todo o suporte necessário para as práticas e suas dialéticas reflexões.

Assim, uma prática docente mágica é a que oportuniza descobertas e prazeres que contribuam para a vida em sociedade. Que faz com que os educandos e toda comunidade envolvida nos processos de ensino e aprendizagem, sejam integrantes da trama tecida por Clio, de maneira construtiva e participativa. Sendo enfocado o trabalho integrado dos conteúdos de aprendizagem com atitudes, valores de vida, experiências vividas e diversidades culturais, levando a transformação das realidades sociais e ao aceno para as possibilidades de um mundo melhor.


Este é um dos desafios da educação escolar: reforçar a lucidez, proporcionar hábitos e ferramentas intelectuais que ajudem a compreender as implicações de nossa ação e seu significado no que se refere a grandes princípios, como solidariedade, justiça, democracia, respeito às diferenças ou ao meio ambiente, por exemplo. (PERRENOUD In: Pátio, 2003, nº. 25, p.19).


Desejamos profundamente, que nossos educadores coloquem seus seres mágicos a trabalhar com força e disposição total para darmos início a uma grande e coletiva construção de mágicas. Que suas varinhas sejam usadas como nunca, com criatividade, responsabilidade e comprometimento em todos os confins da Terra.

Que a cada dia, possamos tomar conhecimento de novas mágicas, divulgá-las, ensiná-las e aglutiná-las as nossas. Somarmos conhecimentos e experiências, tornarmos orgulhosos mestre de artes e ofícios capazes de revolucionar a espécie humana e construir com certeza um mundo melhor. Pois é possível!

Com carinho de um pequeno, mas sonhador colega mágico.
Dedicado à Doralice Peres Fank (Gica), por suas inúmeras mágicas.


REFERÊNCIAS:

ARROYO, Miguel G. Ofício de Mestre : imagens e auto-imagens. Petrópolis, RJ : Vozes, 2000.

DORNELES, Valdeci A. Pahins. Recreação, Arte Mágica e a Música, como Instrumento Pedagógico. São leopoldo, RS : Oikos, 2003.

LIMA, Claudia M. de. Formação Contínua do Professor de Ensino Fundamental e Educação a Distância: reflexões sobre o potencial de aprendizagem. In: GRANVILLE, Maria Antonia. Teorias e Práticas na Formação de Professores. São Paulo : Papirus, 2007.

NOVOA, Antonio. Profissão Professor. Portugal : Editora do Porto, 1995.

PERRENOUD, Philippe. Construir as competências desde a escola. Porto Alegre, RS : Artmed, 1999.

_________________; As competências a serviço da solidariedade. In: Pátio, 2003, nº. 25, p.19.

WERNECK, Hamilton. Professor: agente da transformação. Rio de Janeiro : Wak Ed., 2008.

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MUSEU: Conhecer, Construir e Aprender


Rodrigo Neres
Valéria Farias


Naquele tempo havia um homem lá. Ele existiu naquele tempo. Se existiu, já não existe. Existiu, logo existe porque sabemos que naquele tempo havia um homem e existirá, enquanto alguém contar sua história.
Agnes Heller (1993, p. 13)blockquote>


Afinal, o que é museu? Um lugar monótono cheio de coisas velhas? Infelizmente, muitos ainda têm essa concepção, cria-se a idéia de que a visita ao museu é algo totalmente distante da realidade em que se vive. Este trabalho visa contribuir para a desmistificação dessa idéia. Não é nosso objetivo estabelecer um conceito único e fechado de museu. Podemos lançar idéias para que cada um crie o seu. Há diversos conceitos de museu, um dos mais recentes é do Departamento de Museus e Centros Culturais (DEMU) – IPHAN/MinC, de 2005:

"O museu é uma instituição com personalidade jurídica própria ou vinculada a outra instituição com personalidade jurídica, aberta ao público, a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento...”

O DEMU destaca ainda suas características: o trabalho com o patrimônio cultural; acervos e exposições colocados a serviço da sociedade; uso do patrimônio como recurso educacional; investigação, preservação, interpretação e comunicação dos bens culturais; democratização do acesso, uso e produção de bens culturais; e constituição de espaços democráticos e diversificados.

Podemos dizer ainda que o museu é um laboratório da vida, já que o patrimônio cultural é a referência para o desenvolvimento das ações museológicas (pesquisa, preservação e comunicação). Pode-se dizer que patrimônio é o produto da relação do homem com o meio, podendo ser material, imaterial ou natural. Sua preservação é extremamente importante, pois assim podemos estabelecer uma ponte entre o passado e o presente.

Se ao visitar um museu, um indivíduo tentar estabelecer relações entre o acervo e sua própria época, começará a perceber que muita coisa vai ganhar sentido. Afinal, o que se construiu ontem reflete no hoje. O ser humano necessita saber sua origem, o porquê das coisas. Através do patrimônio, podemos entender os erros passados, procurar não repeti-los, aproveitar os bons feitos. Através dele é possível que o indivíduo tenha maior interação com a realidade em que vive, que seja capaz de interpretá-la; o que faz com que exerça seu papel de cidadão na sociedade.

Sendo assim, fica clara a importância da salvaguarda do patrimônio. É necessário conscientizar a população, através da educação, a qual está muito ligada ao amor. Precisamos despertar este sentimento pelo patrimônio no indivíduo, ensinar a valorizá-lo, mostrar sua importância para a sociedade. Assim, os bens culturais passam a ter um significado na vida do homem, conseqüentemente passarão a ser cuidados e preservados. Desta forma, evitamos a alienação cultural, a falta de memória e de identidade cultural.

Para este trabalho, é de extrema relevância a parceria com as escolas, pois é necessário que desde cedo o indivíduo internalize a importância do patrimônio na sua vida e crie o gosto pela visita a exposições culturais. Os estudantes de hoje são os adultos de amanhã. Para que isto aconteça, é necessário que professores, coordenadores e diretores abracem a causa.

O museu (ensino não-formal) não pode substituir a escola (ensino formal). Cada um possui seu papel, que não deve ser ignorado. O que destacamos é a parceria entre as instituições, importante tanto para a preservação do patrimônio como para o aproveitamento do mesmo na vida dos alunos. Salientamos a importância do museu para o processo de ensino-aprendizagem, acreditando que o mesmo é um lugar vivo e dinâmico, onde a tradição pode ser conhecida, percebia, questionada e reinventada (SANTOS, 2008, p.125)



Referências:

HELLER, Agnes. Uma Teoria da História. Rio de Janeiro : Civ. Brasileira, 1993.

SANTOS, Maria Célia Teixeira Moura.Museu e Educação: Conceitos e Métodos. In: Encontros Museológico – reflexões sobre a museologia, a educação e o museu. Rio de Janeiro : MinC/IPHAN/DEMU, 2008, p. 125 – 146.

Rodrigo é Professor de Educação Infantil e Anos Iniciais, Graduando em História e pós-graduando em História: Cultura, Memória e Patrimônio e Planejamento e Gestão da Educação pela URI- Campus de Santiago. Atualmente é funcionário do Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal de Santiago – Terra dos Poetas. E-mail: rodrigoneres1@gmail.com

Valéria é Museóloga pela Universidade Federal a Bahia e Especialista em História: Cultura, Memória e Patrimônio, pela URI- Campus de Santiago. Atualmente é Professora substituta do curso de Museologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Email: valreab@gmail.com